O Laboratório

O MITHRA – Laboratório de História Antiga Global tem uma história dupla: uma local e uma global.

A história local, enquanto laboratório do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina, resulta da persistência das/os estudantes em reunirem-se para discutir História Antiga. O primeiro grupo dedicado a tanto, o GEHA – Grupo de Estudos de História Antiga (a sigla GEA, infelizmente, já havia sido registrada pelos astrônomos da ilha…), foi fundado no início dos anos 2010 e contou, nos períodos de ausência de um docente especializado em Antiguidade, com o apoio generoso dos docentes de outras áreas, como história medieval e teoria da História. Reunindo-se na sala do Meridianum – Núcleo de Estudos Medievais, o grupo se dedicava à leitura de textos sobre Antiguidade e ao estudo de grego antigo. Em 2018, o GEHA recebe o reforço dos dois antiquistas aprovados em concurso no departamento. Então, desenhava-se uma união entre as pesquisas de História Antiga e Medieval com o esboço de um núcleo de estudos das globalizações pré-modernas, intitulado Magna Mater – termo que em algum tempo sobrepôs-se ao GEHA. Neste ponto, as reuniões do grupo passam a ocorrer na sede do LAPIS – Laboratório de História Pública da UFSC. Em 2020, o grupo decidiu novamente concentrar-se na História Antiga, e, após belicosas reuniões, adotou o nome atual, MITHRA, divindade indo-europeia cultuada da Índia à Península Ibérica, símbolo das ambições globais do grupo. Com a aprovação do novo laboratório pelo departamento, em dezembro de 2019, o grupo passa a ter uma sede permanente, no 7o andar do Bloco E do CFH, dividindo sala com o LABHISS – Laboratório de História da Saúde e Sociedade e o LEHAS – Laboratório de Estudos das Histórias Asiáticas. Ali, os membros do Mithra “local” mantiveram reuniões semanais de discussão de textos sobre globalizações antigas, assim como os tradicionais cursos de grego antigo. As reuniões francas, risonhas e gastronômicas foram interrompidas com a pandemia de COVID-19, fazendo com que o grupo transferisse as reuniões para o meio virtual – o que possibilitou, apesar dos pesares, a participação de docentes e alunos de outras universidades nas reuniões do grupo, até então, local.

A historia global do grupo, por assim dizer, deriva da pandemia de COVID-19. Ao lado da tensão gerada pela expansão da doença e pelo necessário isolamento para contê-la, também ocorreu um movimento de muito maior contato virtual entre pesquisadores separados por alguns milhares de quilômetros de terra ou mar. Assim, alguns docentes, que já vinham de uma longa trajetória de crítica das fronteiras tradicionais da História Antiga e seus eurocentrismos, viram na interrupção das atividades presenciais normais a oportunidade para construir um grupo de leitura e discussão de textos de História Global, em geral, e História Antiga Global, em particular. Assim, em meados de 2020 começa a ser reunir virtualmente o História Antiga Global, grupo composto por pesquisadores da UFSC, UFRPE, IFF, UFTM e St. Andrews, aos quais, ao longo de 2020, se somariam colegas da FURB, UEG, UFOP, UFRN e UEMA. Desde então, com raríssimas exceções (ademais compensadas por longos debates por whatsapp), o grupo discute semanalmente textos decididos, também, semanalmente, esforçando-se por manter o movimento de discutir em uma semana um texto geral de história global, e na outra, um texto específico sobre antiguidade.

Em dezembro de 2020, os dois grupos, o local e o global, foram registrados no CNPq sob a mesma denominação, MITHRA – Laboratório de História Antiga Global. É composto por 13 docentes pesquisadores, que atuam em universidades públicas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, além de um docente que atua no Reino Unido, e 11 discentes, dentro os quais 10 são graduandos em História na UFSC e 1 é mestrando em História Social na USP.

Em 2021, além da continuidade das atividades – reuniões semanais dos grupos de pesquisadores e estudantes – o laboratório planeja a realização de um ciclo de debates de textos dos próprios membros, de modo a preparar um simpósio a ser realizado em 2022.